O certo e o incerto

“O certo é incerto / O incerto é uma estrada reta” (Marina Lima)

por: Pedro Amaral

Com a decisão de nossos justiceiros de intervir pesadamente no processo político-eleitoral deste país à deriva, excluindo quase que sumariamente o ex-presidente Lula da corrida presidencial, isso somado ao declínio de Marina Silva – para o qual ela tanto contribui, por ação ou omissão –, assoma a figura de Ciro Ferreira Gomes, candidato ao cargo pela terceira vez.

Articuladíssimo – a ponto de trazer à sua fala, vez por outra, adjetivos e substantivos que jaziam adormecidos –, o pedetista tem buscado abertamente o que chama de “caminho do meio”, mantendo-se equidistante da esquerda e da direita, na esperança de colher votos de ambos os lados da divisa. O problema, advertiria o Conselheiro Acácio ou um especialista da Globonews, é que a tática pode dar errado. Nesse caso, nosso centrista, desagradando aos eleitores de ambos os polos, receberia deles mais rejeição que apoio, terminando assim num limbo.

Isso, aliás, me traz à lembrança uma famosa anedota, cujos personagens variam ao longo do tempo. Numa das versões, a formosa bailarina Isadora Duncan, encantada com o tema da eugenia, propõe ao dramaturgo Bernard Shaw:

– Nós precisamos ter um filho juntos! Imagine, uma criança com a minha beleza e a sua inteligência…
Ao que o escritor responde, sem delicadeza:
– O problema, querida, é que pode sair o contrário.

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