O assassinato de JK

Como presente de aniversário recebi, do meu filho Marcos, um livro com esse título, organizado por Alessandro Octaviani e outros, e contendo documentos oficiais sobre a morte de JK.

Ainda não o li. Mas conhecendo Octaviani, e impactado pela sua introdução, passo a transcrevê-la, em parte:

“Juscelino Kubitschek foi morto em 22 de agosto de 1976, após sofrer perseguição implacável da ditadura militar instalada em 1964.

Durante anos, uma correta e séria investigação sobre os fatos foi sistematicamente bloqueada. O objetivo da ditadura militar sempre foi o de que o Brasil não soubesse dos seus crimes, ou de que deles não se falasse mais. O povo brasileiro deveria somente “olhar para a frente”, pois do contrário estaria comprovado nosso “revanchismo”.

Essa nuvem de obscurantismo bloqueou a verdade sobre a morte de Juscelino Kubitschek, negando aos brasileiros seu direito à verdade e à memória nacional, que devem ser os fundamentos da nossa República, ainda por construir.

A vida e a morte de Juscelino Kubitschek integram o patrimônio da nação e pertencem a cada um de nós, cidadãos. Não pertence aos militares que o perseguiram, não pertence aos políticos e burocratas que se arvoraram em monopolistas das versões enviesadas, não pertence sequer a seus auxiliares fiéis ou queridos familiares. Pertence ao Brasil, seu povo. O povo amado por Juscelino, com o qual sua identificação foi plena, integral. Ao qual deu esperança sem igual, e no qual se reconfortou.

A história de sua vida está fartamente documentada […..]. A história da sua morte, entretanto, desde agosto de 1976, é alvo de uma sequência de mentiras e bloqueios. A ditadura militar produziu uma investigação fraudulenta, cujos ecos chegaram até nós, paradoxalmente, via Comissão Nacional da Verdade.

O principal esforço investigativo foi realizado pela Comissão Estadual da Verdade de São Paulo “Rubens Paiva” (com suporte de pesquisadores e professores da USP e da Universidade Presbiteriana Mackenzie) e pela Comissão Municipal da Verdade “Vladimir Herzog”, de São Paulo. O acúmulo de material comprovando a lógica do assassinato político reunido pelas duas comissões é impressionante, como o leitor comprovará.

O objetivo do presente livro é reunir os documentos por meio dos quais o Estado brasileiro emanou declarações oficiais sobre a morte de Juscelino Kubitschek. Com isso, pretende-se, (i) prioritariamente, fornecer aos brasileiros e aos cultores de nossa história uma reunião documental capaz de organizar as versões do Estado , (ii) permitir a busca analítica coerente, em um campo no qual o Estado de exceção e seus súcubos buscaram produzir a impossibilidade cognitiva, com óbvios fins políticos, e (iii) possibilitar que o conhecimento da verdadeira história permita ao Brasil corrigir os erros do passado.”

por: Sérgio Sérvulo

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